Último debate tem pedido de desculpas, propostas para dívidas e troca de acusações entre Lula e Flávio
Na Globo, a dois dias do 2º turno, candidatos falaram de salário mínimo, dívidas, SUS e segurança; último bloco teve acusações sobre ilha, Banco Master e uísque

Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) fizeram na noite desta sexta-feira (23), na TV Globo, o último debate antes do 2º turno, que acontece neste domingo (25). Com mediação do jornalista César Tralli, os dois candidatos a presidente passaram mais de duas horas entre propostas para economia, dívidas das famílias, saúde e segurança, e trocas de acusações, que dominaram o último bloco.
A Globo informou que não faria checagem das falas durante a transmissão. As verificações ficariam a cargo dos sites da emissora. O primeiro encontro do 2º turno foi na Band, no domingo (18). Veja [como foi aquele debate](/noticia/lula-e-flavio-discutem-sus-salario-minimo-e-jornada-no-primeiro-debate-na-band-fa1032f1).
"Nove dedos" e pedido de desculpas
O momento mais tenso veio cedo. Flávio disse que Lula "dá com uma mão e tira com nove dedos", referência ao dedo que o presidente perdeu em um acidente de trabalho na juventude. No bloco seguinte, Lula reagiu: "Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos".
Flávio, então, pediu desculpas: "eu te peço desculpa de verdade. Não queria te ofender". Em seguida, voltou a criticar o governo pelo custo de vida.
No mesmo bloco, Lula cobrou um voto antigo de Flávio contra a ampliação da licença-maternidade. Flávio admitiu o erro. Disse que votou por acreditar que a medida dificultaria o emprego das mulheres e completou: "eu estava errado".
Economia e dívidas
Flávio prometeu reajustar o salário mínimo e as aposentadorias acima da inflação. Para as famílias endividadas, propôs que a Caixa compre dívidas dos bancos e as refinancie. Defendeu também o que chamou de "tesouraço": um corte de gastos que, segundo ele, atingiria a corrupção, a burocracia e os impostos.
Lula defendeu a política de valorização do salário mínimo dos governos do PT e prometeu ampliar a renegociação de dívidas em um novo mandato. Afirmou que a proposta de Flávio copia uma medida que o governo já enviou ao Senado.
Saúde
Lula questionou como o adversário melhoraria a saúde cortando gastos e defendeu o papel do SUS na pandemia de covid-19, quando o governo era de Jair Bolsonaro.
Flávio criticou as filas e a falta de medicamentos e disse que vai manter e ampliar os investimentos no SUS, com os cortes concentrados no "tesouraço".
Nordeste e segurança
Na rodada sobre o Nordeste, Lula citou a transposição do Rio São Francisco e a expansão de universidades e institutos federais na região, e disse que o adversário não conhece o Brasil.
Flávio respondeu: "O que você levou para o Nordeste foi o Comando Vermelho". Ele afirmou que a facção avançou na região e prometeu classificar facções criminosas e milícias como organizações narcoterroristas. Também disse que a transposição foi concluída no governo de Jair Bolsonaro. As obras começaram em 2007, no segundo mandato de Lula, e os eixos principais foram inaugurados nos governos de Michel Temer e Bolsonaro.
Acusações no bloco livre
No último bloco, de tema livre, os dois trocaram acusações. Nenhuma delas foi comprovada durante o debate.
- Ilha em Angra dos Reis: Lula pediu que Flávio explicasse a disputa por uma mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ), que o jogador Richarlison diz ter perdido. "Essa ilha nunca foi do Richarlison", respondeu Flávio, que nega envolvimento e afirma que o caso já foi decidido pela Justiça.
- Banco Master: Lula associou Flávio ao banqueiro Daniel Vorcaro, pivô do caso Banco Master. Flávio afirmou que os recursos tratados com Vorcaro foram destinados à produção do filme Dark Horse.
- Uísque: Flávio acusou Lula de ter recebido de Vorcaro uma garrafa de uísque de R$ 500 mil. Ele não apresentou documentos para sustentar a acusação.
O que vem agora
O 2º turno é neste domingo (25), das 8h às 17h, no horário de Brasília. Em Minas Gerais, a votação é só para presidente. Veja [o que o eleitor mineiro pode e não pode fazer no dia](/noticia/segundo-turno-em-25-de-outubro-o-que-o-eleitor-mineiro-pode-e-nao-pode-fazer-b8947372) e [como funciona o transporte gratuito](/noticia/onibus-intermunicipais-metropolitanos-e-metro-serao-gratuitos-em-minas-no-2-turno-veja-com-35b46072).
Falas conferidas em pelo menos duas reportagens sobre o debate. Esta matéria dá espaço equivalente aos dois candidatos e não toma partido.