Artesanato em palha de milho de Cipotânea pode virar bem de interesse cultural de Minas
Projeto na Assembleia reconhece a tradição criada nos anos 1940 na cidade da Zona da Mata. A proposta ainda aguarda relator na primeira comissão

O artesanato em palha de milho de Cipotânea, na Zona da Mata mineira, pode receber o título de relevante interesse cultural do Estado. É o que propõe o Projeto de Lei 6.058/2026, do deputado estadual Cristiano Silveira (PT), em tramitação na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
O texto ainda não é lei. Desde agosto, está parado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), aguardando a designação de um relator.
Uma tradição que nasceu da necessidade
Segundo a Prefeitura de Cipotânea e a justificativa do projeto, o ofício foi ensinado na década de 1940 pelo padre Geraldo das Mercês, num período de dificuldades econômicas no município. Com o tempo, o trabalho com a palha virou fonte de renda importante para as famílias da cidade, principalmente para as mulheres.
Das mãos das artesãs saem cestas, bolsas, tapetes, bonecas, baús e peças de decoração. De acordo com a justificativa do projeto, os produtos são vendidos fora do município e chegam a outros estados e a outros países.
Até o milho é especial
A tradição chamou a atenção da pesquisa agropecuária. Em 2010, a Embrapa Milho e Sorgo, de Sete Lagoas, publicou um comunicado técnico sobre a variedade de milho BRS Cipotânea, selecionada pelas características da palha usada no artesanato. O trabalho contou com a participação da Emater-MG, segundo a justificativa do projeto.
Em que pé está o projeto
- 12 de agosto: o projeto foi recebido no Plenário da Assembleia e encaminhado às comissões de Constituição e Justiça e de Cultura.
- 14 de agosto: publicado no Diário do Legislativo e recebido na CCJ.
- Situação atual: aguardando designação de relator na CCJ.
Depois das duas comissões, o texto precisa ser aprovado em dois turnos no Plenário e seguir para sanção do governador. Só então o reconhecimento passa a valer.
O que muda na prática
O título está previsto na Lei estadual 24.219, de 2022, e serve para valorizar saberes, técnicas e manifestações ligadas à identidade das comunidades mineiras. É, sobretudo, um reconhecimento simbólico: o projeto não prevê recursos nem obrigações. Medidas de proteção como o registro de patrimônio dependem de processo próprio nos órgãos de cultura.
Desde 2026, eventos com esse título têm um limite 10% maior para o pagamento de apresentações artísticas pelo poder público, segundo a Lei estadual 26.040.
Serviço: a Festa do Milho
A principal vitrine do artesanato é a Festa do Milho de Cipotânea, organizada pela prefeitura e realizada todo ano em julho, com feira de artesanato em palha. Em 2024, a festa chegou à 40ª edição, de 4 a 7 de julho. A data da edição de 2027 ainda não foi divulgada.
Informações conferidas em 13 de outubro de 2026.